A vida é feita de perdas…

Essa ideia já estava me rondando há algum tempo, em algumas reflexões em sessões e na vivência da minha própria vida… escolher um caminho é perder as possibilidades do outro. Mas para além disso, após ler um trecho de um livro da Ana Suy, trouxe para a consciência com mais clareza que a vida é feita de perdas desde o início, quando somos bebês e nos distanciamos da nossa mãe para explorar o mundo ao nosso redor – experimentamos a perda da relação única com essa mãe e as novas relações começam a se moldar a partir dessa perda. Não dependemos mais apenas dessa mãe para sobreviver, aprendemos a viver para além dela.

Talvez olhar para isso com profundidade e com VERDADE, nos ajude a lidar melhor com nossas perdas, com os processos de luto, com as finalizações da vida, pois é algo que está ali desde o início e que gostamos muito por sinal, se não, não iriamos nos desenvolver tanto – falar, andar, aprender a utilizar os objetos etc. Mas, ao chegarmos na vida adulta, é algo que passa a nos amedrontar, paramos de explorar, nos tornamos mais sérios devido ao medo da perda, devido ao apego por aquilo que construímos.

Como seria a vida se entendêssemos, não só no racional, mas no sentir, que construção precisa de movimento, nem sempre é duradouro ou estático, envolve perdas e ganhos, como seria se fossemos mais crianças? Se nos abríssemos mais para o novo, para explorar para além do que já temos, porque viver é isso, um eterno (re)descobrir-se!

O que nos falta é ter mais curiosidade sobre a vida, sobre nós, sobre o outro, sobre nossas subjetividades… a curiosidade traz leveza e tira o peso das perdas, para que sinto o que sinto? Penso o que penso? Ajo como ajo? Onde isso me leva? E o que isso me tira? Aceitar com mais afinco que qualquer pequena escolha que fazemos nos tira algo~ tomar esse chá que estou tomando me tira a possibilidade de tomar o café no agora, uma escolha que talvez me tire o prazer momentâneo do café e a agitação que ele proporciona para uma manhã mais produtiva, mas que me leva para um dia mais tranquilo e talvez sem dor no estômago rs. São escolhas e elas são sempre bem-vindas, e não esqueça que: não escolher também é uma escolha!

O que você escolhe explorar hoje? Qual coisa nova poderia experimentar? Que “a vida é feita de perdas” possa ser um mantra para te motivar a buscar aquilo que faz sentido para ti, sem tantos medos ou indo com medo mesmo… e mais, que você aproveite com mais vitalidade aquilo e aqueles que já estão aqui no hoje para que o depois (a perda, a morte) seja apenas um reflexo da vida, podendo olhar para trás e dizer: como aproveitamos, que vida bem vivida tivemos com aqueles que amamos!

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