O ser humano me fascina com a sua complexidade e capacidade de ressignificação das coisas… o potencial de refletir sobre a vida, sobre si e dar novos sentidos é magnifico. E o meu trabalho me possibilita ver isso acontecendo tão de perto, é incrível! Uma paciente me fez olhar para esse aspecto da (i)maturidade (sim, ambas caminham juntas) e em conjunto dos livros que tenho lido começam a me pipocar noções que não quero que fiquem só na minha cabeça, para mim, mas que se expanda ao mundo.
“Nós respeitamos o tempo do adulto, o espaço de cada um, mas não respeitamos sua imaturidade – TEMOS QUE ser maduros ao crescer; em contrapartida, nós respeitamos a imaturidade da criança, mas não respeitamos seu tempo – tudo acaba sendo no tempo do adulto, nas necessidades do mundo atual”. Que reflexão linda, quão grata sou de poder vivenciar esse momento ao vivo e a cores. Parece simples, mas dou um valor tremendo – é uma troca, uma conexão humana, de uma reflexão filosófica que nutre o corpo.
O mundo é feito de contradições e não existe maturidade sem imaturidade, não existe adulto sem criança, quão mais fácil seria se aceitamos essa dinamicidade da vida? Que não existe esse momento único em que seremos “só adultos” “maduros” “acabados”, somos INACABADOS e que bom, se não estaríamos mortos! Porque o que nos mantem na vida é o movimento. Como seria a sua rotina se você respeitasse mais o seu tempo? Se acolhesse sua imaturidade? Se treinássemos mais a espera? Se fossemos mais abertas como uma criança para experimentar a vida e errar?
Uma jabuticabeira demora em média de 10 a 20 anos (a depender da árvore) para dar frutos. E nós, seres humanos, queremos dar frutos o tempo todo sem considerar nossas diferenças e nosso tempo único na terra. Sem considerar as variáveis cíclicas da vida, o tempo, o contexto, enfim, isso só me mostra como nossa mente adulta se tornou bem desenvolvida, mas muito ingênua e fantasiosa, fugiu do real. Mas o nosso corpo? Ah, esse é muito sábio! Então te convido a escutá-lo um pouco mais, suas necessidades, suas vontades, dar amor e carinho para si com mais presença no aqui e no agora que é o único tempo que existe nesse momento!
Lutar contra sua imaturidade, não a aceitar, é lutar contra ser quem você é! É a nossa imaturidade que dá movimento para a vida, que nos faz recalcular a rota, nos ensina e nos auxilia a tomar decisões que talvez não teríamos tanta coragem se fossemos apenas racionais, e convenhamos, que chato seria a vida se tudo fosse tão certinho? Tão maduro? Não seriamos surpreendidos pela vida, não teríamos impulsos que nos levariam a mudanças inesperadas – que em uma primeira instância podem parecer horríveis – mas depois, olhando bem, vendo de longe, nos fizeram um bem danado, basta ter paciência com o tempo para enxergar! VER ALÉM do que se pode ver no agora, talvez com os olhos da alma~ confiar no teu sentir mesmo que não tenha sentido lógico… te convido a ser você, como diria a Pitty: mesmo que seja, estranho, seja você, mesmo que seja bizarro bizarro bizarro rs.
Aprecie tanto os frutos como a secura de si, valorize cada um dos teus processos, te garanto que a sensação de aceitar sua integralidade e complexidade é libertadora e torna a vida mais leve e significativa!





