O amor mora no silêncio

O que é o amor? Amar é uma ação? Verbo? Sentimento? Há tantas definições sobre o que ele é, assim como tudo na vida existem diferentes formas de explicar, mas não existe uma só verdade absoluta. Diante disso, nosso trabalho é acessar a compreensão do que faz sentido para nós, individualmente, para além do que nos é dito, como você interpreta? Essa resposta não precisa ser racional, apenas sinta… ela precisa ser uma interconexão entre corpo (sentir) e consciência (mente).

Amar é subjetivo, o que é para mim, pode não ser para você e está tudo bem, a diversidade é o que nos torna humanos e únicos! É no encontro com o diferente que temos a possibilidade de criar o novo (isso desde a geração de um filho como para além). Quando silenciamos as vozes da nossa cabeça, o que sobra? O que fica desse amor? Silenciar é ter acesso ao amor genuíno, é sentir em profundidade, sem palavras, sem julgamentos, sem definições (antes de sermos humanos éramos animais, antes da linguagem éramos sentir/ser). Aprender a nos compreender por inteiro nesta integralidade, para além do falado, é essencial dentro da relação consigo para que se torne mais possível e saudável a relação com o outro.

Independentemente de quais sejam as respostas para todas essas perguntas, a certeza que temos é que do amor surge a vida, do amor vem a morte, o amor é o que nos salva, nos une e nos finda! Amar envolve rel(ação), caminhar em direção ao outro, não se ama no vácuo, o amor preenche. Para tanto é necessário respeito com o outro e consigo mesma. Respeito ao que não se entende, ao que é diverso, ao que muitas vezes não é compreensível no âmbito do racional. Não existe uma única forma de amar e de se relacionar. O mundo que construímos é repleto de possibilidades de coexistir e estar aberto a essa experiência é o que diminui o peso das relações contribuindo para a aceitação daquilo que vivo ou do que o outro vive, sem julgamento de valor, mas com acolhimento pela história.

Esse é um convite para você silenciar e acessar todas as formas de amor que você já experimentou – amoroso, familiar (pais, filhos, tios, avós etc.), de amigos, no trabalho… amor nas suas diferentes formas e facetas, o que há em comum? O que diverge? Quais são os padrões? O que cada pessoa e situação representa ou representou na tua vida? O que somou e o que veio como aprendizado? E quais tipos de amor você quer continuar a nutrir? E mais, cuidado, relação não é o tempo todo para somar, para nos desenvolver, amor não é uma empresa, o outro não é alguém que está aqui para suprir nossas necessidades ou para nos fazer o tempo todo sermos melhores. Essa lógica do capitalismo afetivo nos faz desistir das relações pelo trabalho que elas exigem, pelas coisas ditas “ruins” e dolorosas que elas causam, mas quer um spoiler? Relação sem dor, tristeza e sofrimento é ilusória (com todo cuidado ao dizer isso, salvo casos de abusos, violência etc.), enfim, vamos olhar para as relações reais, da vida real!

Quem é aquela pessoa que você pode estar no mesmo ambiente, em silêncio, sem nenhum estímulo (principalmente sem celular), e vocês ficam confortáveis na presença? Em só estar? E ser? Sem linguagem falada, sem texto, só o silêncio, os sons do ambiente externo… essa é uma das formas de amor em que podemos só ser quem somos, sem performar! Contemple o amor, nem tudo precisa ser entendido e racionalizado!

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